04 Maio 2007

Um voo solitário

As sociedades são organismos vivos, corpos organizados com autonomia e existência própria. Poderemos estabelecer uma miríade de relações de afinidade entre uma sociedade e qualquer ser vivo comum, exercício que nos facultaria, no mínimo, uma aprendizagem muito significativa tanto dos seres vivos como das sociedades que os seres integram.
As sociedades de seres humanos são, como é sabido, as mais complexas, existindo uma relação de interdependência intrincada que escalpelizada poderá servir para classificação de diferentes classes, tipos e estádios civilizacionais.
A relação mais ou menos simbiótica do órgão (ser) com o organismo (sociedade) tem vindo a ser cada vez mais estudada e aperfeiçoada. Com base nas conclusões das várias ciências que se dedicam ao assunto, foi possível estabelecer índices que caracterizam as diferentes formas de relacionamento possíveis, extrapolando parâmetros de bem-estar, estabilidade material e emocional, e previsões de cenários de evolução prováveis.
As sociedades, como organismos vivos que são, são dinâmicas ou pasmadas, alegres ou sorumbáticas, despertas ou alienadas, coesas ou dispersas, etc.
As sociedades, como os organismos vivos, também adoecem!
Há graus de independência…
«O voo da águia é muito alto, mas é um voo solitário…»

Cátia Farias

5 comments:

Anonymous Marcelo Melo said...

Este texto recorda-me da existência de aplicações das teorias de Darwin voltadas para o contexto das sociedades. Há quem julgue que isso é parvoíce, mas é tentador acreditar que nas sociedades também se vive a lei do mais forte ou também se sente a pressão do mais bem adaptado e a tendência para a exclusão dos demais.
Um bom texto.

[www.3vial.blogspot.com]

6/5/07 10:29 da manhã  
Blogger Pedro Morgado said...

Boa metafora :)

6/5/07 12:29 da tarde  
Blogger Diogo said...

Se uma sociedade é complexa, que dizer de um pelotão britânico:

O terrível cativeiro de quinze militares britânicos sob o regime de Ahmadinejad

Jon Stewart, do Daily Show, dá-nos, com extraordinário humor, uma imagem pungente do drama vivido pelos quinze militares britânicos enquanto reféns de Ahmadinejad, por alegadamente terem violado águas territoriais iranianas.

Stewart: estou certo que foram submetidos a todo o tipo de horrores. Foram obrigados a usar fatos de treino desirmanados. Tiveram de se entreter com jogos de sala e comer petiscos que se serviam nas festas nos anos oitenta. E foram obrigados a rir com naturalidade...

Vídeo - 2:20m

7/5/07 10:29 da tarde  
Anonymous IBIS 2 said...

Cátia , não sei se estará lembrada de um comentário meu a um post(creio que seu) há uns meses.
Mas tenho que lhe fazer uma breve alusão de novo pois,continuo a crer que, a metáfora se aplica de uma forma curiosa ao que é referido no seu texto:
....trata-se daqueles pequenos micro-organismos que avançam lentamente pelos nossos jardins (está lembrada?)e que ,ás páginas tantas ,á falta de alimento,sobem uns por cima dos outros formando uma coluna que morre mas que vai servir de trampolim aos que, por sua vez ,atingiram o cimo lançando-os para bem longe onde haverá por certo alimento!
A capacidade organizativa para a sobrevivencia,trabalhando varios para um objectivo comum,é extraordinária.
Creio:
Cada um de nós ,tambem,e sem ter a consciencia ou sabedoria do processo,somos um "méro"parafuso numa imensa engrenagem.
O voo da Águia é de facto imensamente solitário,nas não menos imponente.
Está de acordo?
.

8/5/07 10:50 da tarde  
Anonymous Cátia said...

Ibis 2,
Sim e também belo e inspirador!

8/5/07 10:58 da tarde  

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