03 março 2007

Tempo de balanço

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Se eu fosse Presidente da República de Portugal mostrava aos portugueses, de quando em vez, que estava com eles, que estava atento e alerta aos seus anseios;
Se eu fosse Presidente da República de Portugal dizia aos portugueses o que penso do Iraque, do Irão, de França da Alemanha… enfim da União Europeia e até mesmo de África e das Américas;
Se eu fosse Presidente da República de Portugal não me limitava a cumprir estritamente a cartilha e a ser menos pródigo nos discursos do que o próprio Américo Tomás;
Se eu fosse Presidente da República de Portugal não seria um comentador mas arriscava a ter cérebro e opinião;
Se eu fosse Presidente da República de Portugal não iria ter tanto medo de errar o discurso limitando-o ao estilo telegráfico;
Se eu fosse Presidente da República de Portugal não fazia um tema universal do facto de comer só “arrozinho branco” e “nada de picante”;
Se eu fosse Presidente da República de Portugal procurava deixar o provincianismo na gaveta;
Se eu fosse Presidente da República de Portugal não tinha como maior ambição ser uma espécie de Presidente do Movimento Nacional Feminino;
Se eu fosse Presidente da República de Portugal não protagonizava um filantropo teórico que transforma más conduções políticas em infortúnios do destino;
Se eu fosse Presidente da República de Portugal conseguia “dar a volta” ao Alberto João para que ele não me gozasse em público;
Se eu fosse Presidente da República de Portugal teria cuidado para não dar indultos assim sem mais em menos a criminosos não indultáveis;
Se eu fosse Presidente da República de Portugal não me contentava com “turismo de negócios” por países exóticos que não têm comidinha em condições;
Se eu fosse Presidente da República de Portugal não me rodeava apenas do “pessoal dos cifrões” e tentava mostrar ao mundo que os portugueses ainda têm uma cultura considerável;
Se eu fosse Presidente da República de Portugal procurava contribuir com um discurso positivo para desvanecer a ditadura da maioria em caso de inexistência de uma oposição forte;
Se eu fosse Presidente da República de Portugal estava ao serviço dos portugueses e não tinha pose de monarca;
Se eu fosse Presidente da República de Portugal havia de dar a conhecer a minhas simpatias e as minhas reprovações;
Se eu fosse Presidente da República de Portugal não dava azo a certas teorias da conspiração que dizem que a cooperação estratégica é um contrato de não interferência com o PS em troca da pulverização de candidatos aquando das eleições para a Presidência da República;
Se eu fosse Presidente da República de Portugal não me limitava a cumprir escrupulosamente as partes inquestionáveis da redacção das atribuições do Chefe do Governo;
Se eu fosse Presidente da República de Portugal esforçar-me-ia por fazer alguma pedagogia dos valores;
Se eu fosse Presidente da República de Portugal saberia que o poder das palavras e do foco garantido sobre as palavras rivaliza com os poderes institucionais;
Se eu fosse Presidente da República de Portugal não havia de gostar que me chamassem “mariquinhas pé de salsa”;
Se eu fosse Presidente da República de Portugal actuava como Presidente da República de Portugal.

Habituem-se!


Nuno G. Ferreira

5 comments:

Anonymous ibis 2 said...

VOTO EM SI.

4/3/07 3:42 da manhã  
Anonymous Marcelo Melo said...

Para que eu fosse Presidente da República teria de o querer ser...

8/3/07 6:46 da tarde  
Blogger Mónica said...

ahahahah candidata-te se tens coiso apoiantes cinco mil

8/3/07 6:56 da tarde  
Anonymous henry said...

Se eu fosse Presidente da República

lia o teu texto todos os dias antes de adormecer.

:-)

11/3/07 10:53 da tarde  
Blogger Maria Manuel said...

"Do ponto de vista semântico, as condicionais podem ser classificadas em três tipos:
- factuais ou reais (pressupõe-se que o conteúdo das duas proposições se verifica / verificou no mundo real - o verbo da condicional finita ocorre no indicativo);
- hipotéticas (pressupõe-se que o conteúdo das duas proposições se pode verificar - o verbo da condicional finita ocorre no futuro ou no presente do conjuntivo);
- contrafactuais ou irreais (pressupõe-se que o conteúdo expresso pelas duas proposições não se verifica - o verbo da condicional finita ocorre no imperfeito ou no mais-que-perfeito do conjuntivo)".

(Terminologia Linguística do Português)

Sem nenhum desmérito, pelo contrário. Com essas capacidades não se atingem topos políticos.

12/3/07 1:37 da tarde  

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