20 novembro 2006

Entretenimento

Já ninguém se lembra do Líbano e do conflito do Hezbollah com Israel. Após estes horrendos cometas mediáticos que surgem pela sua invulgar desumanidade sempre me pergunto o que será feito daquelas gentes. Como estarão a viver o período não menos difícil do rescaldo dos confrontos. Uma vez por outra lá consigo apanhar um qualquer programa sobre o assunto mas habitualmente são acontecimentos passados.
Não há dúvida que a informação mediática tem muito pouco a ver com o conhecimento. Não digo que isso seja bom ou mau em si. Não, trata-se apenas de cumprir o papel do espectáculo da comunicação, do entretenimento. As notícias são isso mesmo.
Contudo, nunca por nunca convirá cair no perigo de confundir a notícia com a realidade. A notícia é uma parcela tão ínfima do real que seria uma impossibilidade transmitir objectivamente mais do que uma chamada de atenção para qualquer coisa no globo que saiu dos padrões que se acham vulgares. Porque, por mais concreto e isento que seja um relato noticioso, ele sempre encerra um trabalho de composição.
No caso da televisão até mesmo em directo as opções do operador da câmara de filmar e a descrição espontânea do jornalista fazem a diferença. Se preparados sons as imagens, já misturados e montados, podem constituir três ou quatro minutos de glória televisiva com toda a subjectividade que isso pressupõe.
A nossa imaginação obriga-se a estar cada vez mais treinada para ler os meios de comunicação de forma retirar qualquer coisa de objectivo do espectáculo mediático. Um trabalho mental em paralelo que depende, já há partida, do nosso conhecimento: quanto mais vasto este for maior será a capacidade de interpretar a notícia.
Convenço-me às vezes, baseado em experiências vividas, que se a relação com o acontecimento for através um envolvimento directo próprio, a notícia perderá praticamente toda a realidade, passando a ser o que é: uma determinada interpretação subjectiva do real destinada ao entendimento geral, o mais das vezes assaz caricata quando confrontada com uma vivência pessoal!
Um destes dias surgirão com certeza notícias dos esforços que o Hezbollah está a desenvolver para demonstrar a submissão do governo do Líbano à política dos Estados Unidos. Quando isso acontecer pensaremos que a História afinal tem um fio condutor. Até mesmo a História dos eventos noticiáveis…

Vasco Sousa

2 comments:

Anonymous Marcelo Melo said...

Eu diria que muito do circo noticioso está na necessidade de se criarem linhas ditas informativas que unam assuntos e criem mais ciclos informativos.

Por outro lado, acho que a informação é demasiado serva do poder das grandes nações. Julgo não errar muito quando digo que nos media portugueses não há grande produção informativa sobre o mundo lá fora, baseada em análises que não as dos próprios media externos.

Seria bom haver consultoria no mundo das notícias, quanto mais não fosse para chocar hábitos informativos...

21/11/06 10:19 da tarde  
Anonymous ibis2 said...

A informação dos media não tem nada a ver com conhecimento,não senhor.Está até muito próxima do espetáculo/entretenimento.
E a continuar assim (claro que vai)
não sei se naõ vou eu começar a encara-la só e apenas como uma manobra de diversão de certos poderes instituidos(ou a instituirem-se!) .

26/11/06 3:09 da manhã  

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