14 setembro 2006

Referencial


Assim como medimos distâncias tomando como referência o sistema métrico com unidades padrão predefinidas, também avaliamos os comportamentos dos outros com o nosso referencial psíquico, aferindo-os com os nossos padrões culturais. E está certo, assim tem de ser, já que de outra forma não seria possível: é impensável que cada indivíduo não pense senão com o seu equipamento intelectual, senão com base nos paradigmas que estruturam o seu pensamento, enfim, não julgue senão cotejando os valores que adquiriu.
Porém, estando estes princípios perfeitamente de acordo com a natureza humana que conhecemos, o que é imprescindível é que tenhamos sempre presente que os nossos modelos poderão não ser perfeitos ou sequer os mais adaptados a todas as realidades. Não por se ter em conta qualquer tipo de visão moralista, mas sim para encararmos a possibilidade de percebermos as matrizes dos outros, quaisquer que eles sejam, onde quer que habitem. Só pela consciência da nossa limitação poderemos alcançar, não a realização das mesmas operações lógicas, por impossível, mas pelo menos uma compreensão mais ou menos satisfatória do mecanismo de funcionamento dos outros...

Em Xangai, uma das maiores cidades do mundo, talvez a mais cosmopolita da China, os chineses, tanto homens como mulheres, vêm com frequência à rua de pijama…
E já que vieram os chineses à baila, eles dizem que nós, os “diabos brancos” (que é a tradução à letra do chinês de brancos, para eles “kuai lous”), de um modo geral cheiramos mal!...

Cátia Farias

2 comments:

Blogger Guerreiro said...

O relativismo moral è uma coisa linda. Tanto dá para justificar as acções dos nazis ou dos talibans como dá argumentos para a defesa das tribos amazónicas. Pessoalmente creio que ilógico è pensar em "absolutismo moral".

Quanto aos brancos cheirarem mal. Eu sou branco e, quando tenho visitas que tenham vindo directamente de um grande centro populacional, costumo convidá-los a passear um pouco pelo jardim para não me empestarem a casa. A sério.

14/9/06 5:36 da tarde  
Anonymous Gisela said...

Cátia
Obrigado pelo texto que deixaste no meu blog. Apesar de nunca ter estudado sociologia ou lido, tão pouco, algo nessa área, é um tema sobre o qual gosto de reflectir. Mais uma vez o post está excelente e esta reflexão adapta-se a muitos dos debates que actualmente se desenrolam na blogosfera e que parecem diálogos de surdos, e tudo se se deve ao facto dos referenciais morais e vivênciais serem diamentralmente opostos.

15/9/06 11:09 da tarde  

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